trilhas da literatura

quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011

OBAX: uma menina com nome de flor








OBAX: uma menina com nome de flor
(Neide Medeiros Santos – Crítica literária – FNLIJ/PB)


Chega a noite
e, na sinfonia de bocejos,
beladormecem as sombras.
(Luís Dill. Estações de poesia)

OBAX (Brinque-Book, 2010), texto e ilustrações de André Neves, foi um dos cinco livros brasileiros selecionados para constar no catálogo “White Ravens” (2011) da biblioteca infantojuvenil de Munique.
André Neves explica que a história é um texto de ficção, ambientado na África, não é um reconto. Para escrever este livro, o autor fez pesquisas sobre o oeste africano, os costumes, as manifestações artísticas, vestimentas, as artes dos grupos étnicos espalhados pela Nigéria, Costa do Marfim, Senegal, Mauritânia e Mali. Sua atenção se voltou para as mulheres das tribos, surgindo daí a história de uma menina africana.
O primeiro parágrafo do livro já denota que estamos diante de um escritor que sabe lidar, poeticamente com as palavras:
“QUANDO o sol acorda no céu das savanas, uma luz fina se espalha sobre a vegetação escura e rasteira. O dia aquece, enquanto os homens lavram a terra e as mulheres cuidam dos afazeres domésticos e das crianças. Ao anoitecer, tudo volta a se encher de vazio, e o silêncio negro se transforma num ótimo companheiro para compartilhar boas histórias.” (p.6)
É na sombra da noite, na sinfonia dos bocejos, que Obax, nome da menina, cria suas histórias fabulosas que preenchem o vazio e o silêncio. Certa vez, a menina contou aos amigos que tinha visto cair do céu uma chuva de flores. E surgiram muitas perguntas:
“– Nossa, e você não se molhou?”
“– Onde foi isso?”

Obax tinha uma imaginação muito fértil e criava coisas que estavam além do raciocínio comum das pessoas, surgindo perguntas que denotavam incredulidade. Como acreditar em chuvas de flores onde havia pouca água!
Triste por não ser compreendida, a menina resolveu sair à procura da chuva de flores e contou com a ajuda de Nafisa, um elefante que havia se perdido de sua manada e vivia sozinho na savana.
Na viagem por vales e montanhas, por países da África e por muitos outros países, Obax e Nafisa viram chuva de água, chuva de pedras, chuva de estrelas, chuva de folhas. Nos países mais frios, viram até chuva de flocos de algodão. Onde encontrar a chuva de flores? Os dois deram a volta ao mundo e nada de chuva de flores. Será que existiu mesmo uma chuva de flores?
Não falta nessa história um baobá, grosso e forte como o elefante Nafisa, com o tronco todo enrugado. Quem se encosta no tronco dessa árvore sagrada procura repouso e sonha com muitas histórias, até com histórias de chuva de flores.
André Neves sabe lidar muito bem com as duas linguagens – palavra/imagem. Neste livro fica difícil saber o que mais se sobressai – será a linguagem verbal ou a pictórica?
A beleza da ilustração do livro começa na capa – o título OBAX aparece em letras bem grandes, vermelhas e brilhantes, dando-nos a impressão de que o título foi escrito em alto relevo. No meio da capa, uma figura diminuta de uma menina com cabelos encaracolados. Juntinho da menina se encontra uma pequena pedra. Essa pedra é muito importante, ela esconde um segredo que só é revelado para aqueles que lerem o livro.
As paisagens áridas das savanas são retratadas pela intensidade dos tons laranja e vermelho que se associam à luminosidade do sol. Essas são, também, as cores preferidas dos africanos
Nas pesquisas feitas por André Neves, ele descobriu que OBAX significa “flor” e NAFISA “pedra preciosa”.

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